Projeto começa por Minas

Américo Vermelho e Sérgio Mártire


Começou a caça às locomotivas. No dia 21 de fevereiro partiram do Rio de Janeiro o especialista em locomotivas a vapor Sergio Martire e o fotógrafo Américo Vermelho, para uma viagem de 20 dias a 30 cidades mineiras.  Localizaram 56 locomotivas. Foi a primeira etapa do Projeto Memória Ferroviária, que vai percorrer 20 estados do para fotografar, descrever e contar a história das cerca de 450 locomotivas a vapor que ainda existem no Brasil (ao que se sabe, não existem vaporosas no Acre, Roraima, Amapá e Tocantins). Veja o relato da viagem
No Depósito 4
 
A "Zezé Leone" ganhou esta nome por causa da primeira miss do Brasil, eleita em 1922. A locomotiva foi presente do rei Alberto, da Bélgica, e serviu no expresso noturno Cruzeiro do Sul, entre o Rio e São Paulo, conhecido como Trem dos Senadores e muito frequentado por Assis Chateaubriand. É uma Alco 4-6-2 (Pacific) bitola de 1,60 m, fabricada em 1920 com número de série 63533 e matricula 370 da EF Central do Brasil. Foi encontrada pela equipe em em estado de semi-abandono no Depósito 4 do pátio da Estação de Santos Dumont (MG) ao lado de um carro Budd em aço inox, do expresso noturno Santa Cruz, que sucedeu o Cruzeiro do Sul até ser extinto pela Rede Ferroviária.
Apoio veio do setor ferroviário

Sete empresas patrocinadoras, todas elas do setor ferroviário, viabilizaram o início do Projeto Memória Ferroviária. O maior apoio foi da Usiminas Mecânica , a nova fábrica de vagões da Usiminas. Em seguida veio a CSN, cliente e acionista da MRS e da CFN. A própria MRS também aderiu ao projeto, assim como a Amsted-Maxion, o único dos grandes fabricantes de vagões que permaneceu em atividade. Depois veio a SKF, tradicional fornecedor de rolamentos ferroviário; a Caramuru, cliente importante de grãos; e a GE Transportation, fabricante de locomotivas. É o setor ferroviário brasileiro valorizando sua própria história.

A Zezé Leone ao lado do Santa Cruz