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Temer e Putin manifestam convergências convenientes

22/06/2017 - Valor Econômico

O presente foi escolhido a dedo. Uma coleção de cinco cartas do imperador Pedro II para o tsar Nicolau II, o último da dinastia dos Romanov a ser eliminado pelos bolcheviques. O regalo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para o presidente Michel Temer veio acompanhado de um pedigree. As cartas estavam nos Estados Unidos. A Rússia as comprou de volta e agora presenteava o Brasil com um pedaço de sua história.

Não foi o único presente de Putin. Temer retornará na sexta feira ao Brasil com uma caixa de lenços que o presidente russo ofereceu à primeira-dama, Marcela. O esmero não se resumiu aos regalos. No último dia de sua visita à Rússia, Michel Temer ouviu de Putin todas as promessas de investimento que almejava. Se o presidente brasileiro buscava um alento internacional para sua delicada conjuntura interna, encontrou na Rússia um parceiro ideal.

O país de Vladimir Putin se debate com sanções comerciais dos Estados Unidos contra sua ofensiva pela Crimeia. No encontro de Temer com Dmitri Medvedev, o primeiro-ministro russo chegou a citar, explicitamente, a necessidade de seu país buscar aliados contra o bloqueio americano. A Rússia procura parceiros que sinalizem abertura para a União Euroasiática. E tem empresas pujantes em energia e infraestrutura.

A soma de todos os fatores bastou para que Goa se transformasse em um ponto perdido no mapa dos Brics. Foi lá que, em outubro do ano passado, o presidente brasileiro acabou esnobado por um Putin que, logo depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, se recusou a recebê-lo.

Foi assim que uma visita anunciada de última hora, a despeito de responder a um convite russo, rendeu um supreendente pronunciamento de Putin em relação ao interesse de suas estatais no Brasil e uma declaração conjunta dos dois países de contundente crítica à pauta do presidente americano, Donald Trump.

Putin e Temer reiteraram compromisso com o Acordo de Paris de combate às mudanças do clima, alvejado por Trump, e manifestaram rechaço à imposição unilateral de medidas coercitivas e sanções econômicas sem base no direito internacional. Concordaram na ênfase ao multilateralismo frente à tradição unilateral da política americana e convergiram tanto na defesa do Estado palestino quanto na condenação dos assentamentos israelenses ilegais.

O Brasil sinalizou positivamente à iniciativa entre Rússia e China em torno de um tratado pela prevenção de armas espaciais e se comprometeu a examinar as possibilidades da construção de novas usinas nucleares no Brasil, projeto de interesse russo. Os dois países defenderam que a solução para a Síria, a ser mediada pela ONU, preserve a independência, integridade e soberania daquele país, discurso que converge com a liderança russa naquele canto do planeta.

Em contraposição, a Rússia reiterou seu apoio ao Brasil como forte e merecedor candidato a membro permanente de um Conselho de Segurança da ONU e acatou, em meio a acusações de protagonismo na guerra virtual de informações, uma redação da declaração conjunta que sugere a adoção, pela comunidade internacional, de conduta responsável dos países no uso das tecnologias da informação e da comunicação.

O gesto mais concreto dessa aproximação, no entanto, veio com o pronunciamento que precedeu a declaração conjunta. Putin adornou a parceria-chave com o Brasil, o primeiro com o qual a Rússia estabeleceu relações na América Latina, há 190 anos, para avançar na pauta comercial.

Mencionou o interesse de duas estatais russas, a Rosneft e a Gazprom, em participar da modernização da infraestrutura brasileira. Lembrou o potencial de ampliação do parque hidrelétrico no país, no qual a Rússia já participa como fornecedora de turbinas para cinco usinas, e a ferrovia Norte-Sul.

Citou ainda a possibilidade de lançamento conjunto de satélite em Alcântara, além de uma base partilhada para o monitoramento de detritos espaciais. Falou ainda, com otimismo, sobre o fornecimento de urânio para usinas brasileiras. Pela manhã, o primeiro-ministro Medvedev, em encontro fechado à imprensa, tinha sugerido ao presidente brasileiro que o comércio bilateral deixe de ser mediado pelo dólar e passe a ser feito nas moedas dos dois países.

Temer pareceu surpreendido pela ofensiva russa. Depois de passar toda a visita pedindo investimentos e parcerias, limitou-se, durante seu pronunciamento, a citar Dostoiévski, Balé Bolshoi e a expectativa de uma final entre Rússia e Brasil na Copa de 2018. De concreto, citou a expectativa de o Brasil, ao assumir a presidência do Mercosul em julho aprofundar as relações com a União Euroasiática.

A única referência, indireta, à crise brasileira, veio na comemoração de Temer com o recuo da inflação, bem como da taxa de juros: Paulatina e responsavelmente, logo teremos juro de um dígito. Estava determinado a mostrar controle sobre a estabilidade da economia frente a um mercado que duvida de seu futuro, quando, sem combinar, apareceram os russos.

 

Leia também: Na Noruega, presidente deve reforçar interesse em acordo de livre comércio



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