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Reflexões sobre o projeto TAV

11/01/2010 - Folha de São Paulo

NESTE MOMENTO em que acaba de ser lançada a consulta pública para o edital de licitação do trem de alta velocidade (TAV), também conhecido como trem-bala, que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro, faz-se oportuno refletir sobre alguns pontos para evitar erros já cometidos no passado. Na página da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) está disponível o relatório conjunto preparado pelas empresas de consultoria Sinergia (brasileira) e Halcrow (inglesa) sobre esse projeto.

No volume 4 do relatório, denominado Operações Ferroviárias e Tecnologia, constam algumas vantagens da tecnologia de levitação magnética (MagLev) em comparação com a tecnologia dos trens de alta velocidade roda-trilho: traçados mais íngremes (10% contra 4%), menor impacto ambiental, aceleração e desaceleração maiores (permitindo paradas com menor comprometimento do tempo total de percurso), curvas mais fechadas, traçados que evitam áreas ambientalmente sensíveis e redução de comprimentos de túneis e viadutos.

Esse mesmo relatório, reconhecendo essas significativas vantagens, conclui: Isso significa que um traçado MagLev seria completamente diferente de um para um TAV roda-trilho de aço e necessitaria de um procedimento diferente para aprovação de projeto e planejamento. Por essas razões, MagLev não foi ativamente considerado no desenvolvimento do TAV. Ou seja, o relatório sentencia punitivamente uma excelente opção.

Além das vantagens citadas no relatório, acrescentamos o menor consumo de energia, a manutenção mais simples, a menor emissão de ruído e maior velocidade de cruzeiro (450 km/h contra 350 km/h), com similares custos de implantação. Trata-se de uma verdadeira agressão a qualquer lógica de bom senso, o que me obriga, como professor e especialista no tema, a apresentar uma abordagem didática para o melhor entendimento do assunto. Afinal, o projeto está orçado em R$ 34,5 bilhões e merece uma discussão ampla e bem informada.

Existem três tecnologias de levitação para transporte: eletromagnética (EML), de forças atrativas; eletrodinâmica (EDL), de forças repulsivas; e supercondutora (SML), baseada na propriedade diamagnética dos supercondutores de elevada temperatura crítica, sintetizados apenas em 1987.

As duas primeiras são indicadas para transporte de alta velocidade e vêm sendo discutidas há mais de 40 anos pela comunidade internacional nas conferências MagLev, que ocorrem a cada dois anos, desde 1968. A vigésima edição deu-se no ano passado, em San Diego, EUA.

Temos participado ativamente desse congresso. O Brasil, inclusive, sediou a MagLev 2000, na cidade do Rio de Janeiro. Essa foi a única vez que esse fórum de discussão foi deslocado para o hemisfério Sul, ocasião em que introduzimos a proposta SML para transporte.

A tecnologia SML, em razão da baixa potência necessária para garantir a levitação, encontra sua ideal aplicação no transporte urbano de baixa velocidade e está sendo explorada no projeto MagLev-Cobra, da Coppe/ UFRJ, o qual coordeno.

A substituição do sistema roda-trilho pela levitação significa, tanto para o transporte urbano quanto para o transporte interurbano, uma quebra de paradigmas, uma ruptura tecnológica. Algo semelhante ao que ocorreu com as máquinas fotográficas, com a substituição dos filmes sensíveis à luz pelas memórias digitais, ou com a preparação de textos, com as modernas impressoras e os softwares editores em substituição às máquinas de datilografar, para citar apenas dois exemplos do nosso cotidiano.

Declaradamente, o governo brasileiro pretende aproveitar a construção da ligação terrestre de alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo também como elemento propulsor do parque tecnológico e industrial.

Ora, se de fato estamos pensando no futuro, não cabe privilegiar a tecnologia roda-trilho, como concluiu o relatório da Sinergia e Halcrow, uma vez que estaríamos comprando o obsoleto, o que não tem perspectiva de futuro.

RICHARD M. STEPHAN é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

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 Comentários
15/01/2010 -  Comentário de Gerson Toller -

Estive em Emsland, no norte da Alemanha, há uns cinco anos, visitando o loop de prova do Transrapid. Andei nele a 450 km/h e posso atestar que funciona. Só me pareceu estranho a afirmação de que aquele trem era a terceira geração de protótipos, e que os testes haviam começado no final da década de 80. Vinte anos testando um veículo? Depois, no início de 2008, veio a notícia que a Deutsche Bahn decidira abandonar a construção de uma linha de Hamburgo a Colonia. Depois que a cidade de Munique desistira de construir um Transrapid para o aeroporto. Sobrou o trem do aeroporto de Shanghai, que hoje é o único em operação comercial no mundo. O fato é que algumas invenções funcionam e outras não funcionam. Já tivemos o trem pneumático dos ingleses no século XIX, o trem sobre colchão de ar dos franceses na decada de 60 e outras tecnologias inaplicáveis. Só não sei porque a ANTT não diz isso claramente para encerrar a discussão.
13/01/2010 -  Comentário de Gustavo F. Freitas -

Claro e objetivo, parabens professor. Gustavo Freitas
12/01/2010 -  Comentário de Eliakim siqueira lima -

Parabens ao professor pela indicação,já que estamos vivendo em plena tecnologia nada melhor que fazer o mais moderno.td que ele falou e verdade,pelo que li a ferrovia normal vai fazer muito estrago na natureza,sem falar do gasto que vai ter.E que os politicos querem fazer a festa em tudo,se e que me entente,sempre tem o dedo deles pra levar vantagem,espero que a empresa que ganhar a licitação seja uma empresa estrangeira,pra não ter tanta corrupção.vi o trem Megalev na China,olha td de bom e de modesno,um abraço a todos.
12/01/2010 -  Comentário de Ho Song -

A única linha comercial usando a tecnologia MagLev no mundo é o Transrapid do Xangai (tecnologia alemã). Um outro projeto de Maglev na China que liga Xangai a Hangzhou foi abortada.
Realmente há vantagens no Maglev como velocidade, traçados e níveis de ruído, mas a principal razão de não popularização do Maglev é o custo de implantação e estudos ainda não completos sobre o impacto direto de campos magnéticos nas pessoas. A distância mínima recomendada entre o trilho e casas é de 150m, o que pode encarecer as obras com reassentamento. Único país detentor de tecnologia para fornecimento imediato é a Alemanha. Outros paises como Japão, Coréia, EUA e China terminaram de desenvolver suas tecnologias, mas ainda em fase de protótipos e modelos. O Maglev mais conhecido no Brasil é o aerotrem do Levy Fidelix, patrocinado pela Alemanha para introduzir este modelo de transporte em São Paulo. Uma licitação é uma concorrência, portanto a indicação de uma tecnologia específica seria favorecimento.
12/01/2010 -  Comentário de SAMUEL VIEIRA GAMBIER NETO -

Uma coisa me deixou intrigado, depois de ler este artigo, porque China, Alemanha, Italia, França, Espanha e tantos outros países continuam investindo no obsoleto?
12/01/2010 -  Comentário de Fabio Nogueira Tranquelin -

Tenho uma curiosidade : E a questão operacional , ou seja , a capacidade operacional do veículo de mudar de uma via para outra ? No contato roda-trilho , uma simples troca na disposição das agulhas de um aparelho de via (AMV) , me possibilita esta tarefa . E o sistema MAGLEV ?
12/01/2010 -  Comentário de I. Milão -

Professor Stephan, que bom não ser o único ser de outro planeta, que sonha com um Pais a altura do que ele realemnte é. Tenho certeza que não somos os únicos Inteligentes dessa Nação, mas infelizmente temos uma Mídia digna das chamas do DEMO. Ela quer fazer dessa Nação uma fossa. Mas sua colocação é Exata. è o velho processo do celular, o mundo sucateava o analogico e compramos, deposi o mundo sucaava a 1ª geração digital, e compramos. Agora o MagLev já supera a velocidade do BALA e interesses escusos novamente querem ANCORAR o pais. O nosso presidente me surpreendeu, mas eu acredito, pelo que ele tem feito ao Pais, que sua visão de Futuro é Exemplar. Professor, queremos conhecer o COBRA, E Colaborar tambem, como pederiamos ? I. Milão S. Paulo milao@email.com
12/01/2010 -  Comentário de Welber Santos -

A idéia e a proposta do MagLev são lindas, dariam uma nova forma, uma revolução tecnológica. Mas, pensando nos termos de ferrovia e integração, pode não ser tão interessante, já que seria uma espécie de quabra de bitola sem a chance de adaptação do já material já existente à isso. O mais interessante talvez seja rediscutir a unificação da bitola e integrar todo o sistema ferroviário, para carga e para passageiros. O MagLev me soa mais como uma nova quebra de padrões.



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