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Notícias da Revista Ferroviária |
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Julio Fontana deixa a MRS
15/05/2009
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| Gestão de Julio Fontana Neto (foto) foi marcada pela evolução dos resultados financeiros |
Júlio Fontana Neto deverá deixar a presidência da MRS até o final de maio. A decisão estava sendo discutida desde o início de abril e foi acordada esta semana entre o executivo e o conselho de acionistas da MRS, composto pelas empresas Vale, Usiminas, CSN e o Grupo Gerdau. Ainda não há substituto designado para o cargo.
Julio Fontana foi nomeado presidente da companhia em 1999. Sua gestão foi marcada pelo crescimento do volume de transporte e evolução dos resultados financeiros. De nove anos para cá, a operadora quase triplicou as toneladas úteis transportadas – em 1999 foram 55 milhões passando para 135,8 milhões de TU em 2008. Em termos de TKU, o índice mais que dobrou no período. De 25,9 bilhões em 1999, a empresa registrou ano passado, 55,5 bilhões.
Sucessivos recordes de transporte da ferrovia logo se refletiram nos dados financeiros. Desde 2000, a MRS amargou prejuízos, que chegaram a R$ 166,8 milhões em 2002. Júlio reverteu a situação, e a MRS em 2008 alcançou lucro líquido de R$ 663 milhões.
Os investimentos realizados durante sua gestão foram agressivos. No ano em que assumiu a presidência, a MRS investiu R$ 76 milhões. Em 2008, cerca de R$ 1 bilhão. Em seu exercício, comprou cinco mil vagões, modernizou o sistema de sinalização e telecomunicações, ampliou pátios, duplicou 100 quilômetros de linha, modernizou e adquiriu novos equipamentos de manutenção. Em matéria de tração, a MRS encomendou durante sua gestão 250 locomotivas, das quais 150 em 2007, o que permitu à GE reiniciar a fabricação de locomotivas de linha no Brasil. Nesta aquisição, a companhia optou por 65 máquinas de corrente alternada, que pela primeira vez seriam utilizadas por uma ferrovia de carga no Brasil.
Seu otimismo e energia marcaram de forma positiva o período pós-privatização das ferrovias. Eleito o Ferroviário do Ano de 2005, Julio levou a empresa a ganhar sete vezes o prêmio de Melhor Operadora de Carga, oferecido pela Revista Ferroviária. Foi duas vezes presidente da ANTF. De 2000 a 2003, quando deu à entidade a relevância que conserva até hoje; e desde o ano passado, durante o biênio 2008/2009.
Apesar disso tudo, Júlio não conseguiu transformar a MRS em uma empresa ferroviária com rota própria. Ela continuou a vida toda como centro de custo dos seus proprietários, siderúrgica e mineradoras, e os investimentos foram sistematicamente canalizados nesta direção. Assim foi no caso do projeto de Casa de Pedra, da CSN, que implicou na aquisição de 700 vagões e 40 locomotivas. Exemplo oposto foi a oportunidade aberta pela venda da Brasil Ferrovias, em 2007, onde a MRS ficou de fora. A Brasil Ferrovias (Ferroban, Novoeste e Ferronorte) praticamente não exporta minério, e a empresa acabou sendo comprada pela ALL. O mesmo ocorreu este ano, quando a MRS perdeu a oportunidade de operar a logística ferroviária do projeto da Cosan/Rumo, para exportar 9 milhões de toneladas de açúcar/ano pelo porto de Santos. Novamente a ALL ficou com o negócio. Não era o que queria o executivo.
Com 53 anos, Júlio Fontana é formado em engenharia mecânica com pós-graduação em administração de empresas, ambos pela Universidade Mackenzie. Antes da MRS, passou pela Alcan e Gerdau.
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Comentários
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15/05/2009 - Comentário de Paulo Roberto Filomeno -
Os resultados da gestão do sr. Julio mostram a grandeza do trabalho realizado. E será para sempre lamentável que a MRS não tenha adquirido a Ferroban. Isso viablizaria o contorno de SP através de uma ligação Vale do Paraíba-Jundiaí e faria da MRS uma das estradas de ferro mais poderosas do mundo, com toda a rede de bitola larga do Brasil. E mais uma vez a história se repete. Francisco Paes Leme de Monlevade, um dos maiores engenheiros ferroviários do Brasil, que entre outros feitos introduziu a tração elétrica na Companhia Paulista em 1922, também não conseguiu seu objetivo de aumentar a rede de penetração da Paulista através da aquisição da Noroeste. Foi derrotado pelos fazendeiros de café, os grandes acionistas da CP na época. A zona da noroeste não tinha café para transportar...
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15/05/2009 - Comentário de ALVARO MOACYR SABINO FILHO -
O velho ditado "Em time que esta ganhando não se muda nada", parece que não foi lembrado. Espero que o proximo presidente da MRS venha para continuar a elevar cada vez mais esta tão conceituada Empresa Ferroviaria.
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16/05/2009 - Comentário de everaldo cavalcante de mendonça -
É uma perda lamentável esta que se apresenta p/a MRS, o Sr. Julio Fontana conseguiu em poucos anos de administração desta empresa, quase que duplicar todos os índices de toneladas transportadas, e também as aquisições de locomotivas e vagões. Quem vier agora no seu lugar deve no mínimo fazer mais do que ele fez.
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18/05/2009 - Comentário de Paulo Roberto Filomeno -
Os resultados da gestão do sr. Julio mostram a grandeza do trabalho realizado, em tração, energia e principalmente sinalização, num trabalho inédito no Brasil e que servirá de parâmetro para outras ferrovias. E será para sempre lamentável que a MRS não tenha adquirido a Ferroban. Isso viablizaria o contorno de SP através de uma ligação Vale do Paraíba-Jundiaí e faria da MRS uma das estradas de ferro mais poderosas do mundo, com toda a rede de bitola larga do Brasil. Além de que haveria uma melhoria nas condições da malha.
E mais uma vez a história se repete. Francisco Paes Leme de Monlevade, um dos maiores engenheiros ferroviários do Brasil, que entre outros grandes feitos técnicos introduziu a tração elétrica na Companhia Paulista em 1922, também não conseguiu seu objetivo de aumentar a rede de penetração da Paulista através da aquisição da Noroeste. Foi derrotado pelos fazendeiros de café, os grandes acionistas da CP na época. A zona da noroeste não tinha café para transportar...
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18/05/2009 - Comentário de PEDRO PAULO REZENDE -
Julio Fontana organizou a MRS, adquiriu locomotivas e vagõe e deixou empresa em situação de concorrer em pé de igualdade com a Vale. Espera-se que o novo presidente da empesa dê continuidade em sua obra construindo novas ligações ferroviárias. O tão sonhado contorno de Belo Horizonte poderia ser uma dessas obras. Bastaria que a MRS reativasse a linha entre Miguel Burnier e General Carneiro, abandonada desde 1996,para que os trens cimenteiros seguissem direto para o pátio de Joaquim Murtinho sem a necessidade de passar por BH.
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18/05/2009 - Comentário de Marciano da Silva Barreto -
Os resultados de sua gestão são notórios. Creio que ele está saindo com a sensação de dever cumprido, apesar dos possíveis "fracassos" citados na matéria.
Sem dúvida a era pós - desestatização teve uma significativa mudança na gestão do Júlio. A estrela do cara brilhou!
Vamos ver seu substituto. O Júlio quando entrou não pegou crise mundial, mas pegou uma MRS caindo aos pedaços. Seu substituto chega num momento tenso da economia mundial. Que Deus o ajude a elaborar estratégias que pelo menos contornem ou minimizem os reflexos dessa crise que dia a após dia vem impactando negativamente os números na MRS.
Marciano Barreto
Ferroviário
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18/05/2009 - Comentário de LUIS HENRIQUE TEIXEIRA BALDEZ -
Os expressivos resultados quantitativos e qualitativos alcançados na gestao Julio Fontana a frente da MRS, o credenciam a ser lembrado como um dos maiores executivos do setor. Tenho certeza que seu passe será disputado no mercado como poucos deste Brasil.
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20/05/2009 - Comentário de gabriella carvalho -
Esta é, com certeza, uma perda irreparável para a MRS. É só esperarmos pelos resultados do 3 trimestre para avaliarmos o quao desastrosa e devastadora será esta nova administracao. Falo no 3 trimeste,
pois, Dr. Julio em abril e maio, já deve ter garantido um resultado bem razoável. Só espero que nao joguem isso por terra no mes de junho.
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