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Brasil testa trem de levitação magnética

29/08/2008 - Cosmo Online

Protótipo do Maglev-Cobra, trem de levitação magnética, serviu de base para testes no Brasil

Trens voadores são coisa de filmes de ficção científica, certo? Errado. Dois pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um sistema de transporte denominado Maglev-Cobra, um trem que flutua sobre trilhos magnéticos. O trem voador utiliza uma tecnologia inovadora que emprega a propriedade diamagnética de supercondutores de elevada temperatura crítica. A tecnologia, em desenvolvimento desde 1998, foi testada em um protótipo de escala reduzida em trajetória fechada de 30 metros de comprimento. “Nosso objetivo agora é testá-lo em escala real, mas, para isso, precisamos de financiamento”, diz o pesquisador Richard M. Stephan, um dos idealizadores do projeto.

A tecnologia, desenvolvida em parceria com o pesquisador Eduardo G. David, do Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), pode revolucionar o transporte no Brasil. Entre as várias vantagens está o fato de o trem ser silencioso porque não há atrito com os trilhos. “Ele faz curvas de pequeno raio, 30 metros, e pode subir e descer rampas com inclinação de até 15%, quando o usual é 4%”, afirma Stephan.

De acordo com o professor, há três técnicas de levitação magnética: eletrodinâmica (EDL), eletromagnética (EML) e supercondutora (SML). Essa última, utilizada no protótipo desenvolvido pela UFRJ, está em estudo em diversos locais, como China e Alemanha (veja quadro nesta página).

Outras vantagens do Maglev são o baixo consumo de energia e a manutenção mais simples. “É mais econômico do que um trem normal, mas a diferença para um carro e avião é enorme”, reforça o cientista. Enquanto no Maglev o consumo médio de energia fica em 25KJ por passageiro por quilômetro, no ônibus esse número é de 1.100KJ/pkm e no avião, 4.200KJ/pkm. O veículo ainda utiliza uma energia renovável, a elétrica. Porém, o maior trunfo do Maglev é o baixo custo de implantação. Stephan explica que, pelo trem subir e descer rampas mais inclinadas e ser silencioso, não precisa ser submerso como o metrô. “Ele pesa a metade de um VLT (veículo leve sobre trilhos) convencional”, diz o pesquisador. A idéia é aproveitar ao máximo a infra-estrutura urbana existente, utilizando-se de vias elevadas esbeltas a serem implantadas ao longo de corredores rodoviários.

A UFRJ desenvolveu um mecanismo que permite a instalação de vias de levitação magnética sobre uma via permanente convencional, permitindo o funcionamento alternado do Maglev-Cobra e do trem tradicional. E, segundo Stephan, é da fácil implantação que vem a economia. “A infra-estrutura representa 70% do custo de implantação, por isso o Maglev é mais econômico do que os outros tipos de transporte”, afirma o cientista. Segundo estimativa do pesquisador, a instalação do trem voador pode custar o equivalente a um terço do valor de um metrô subterrâneo. Enquanto os metrôs custam R$ 100 milhões por quilômetro, o Maglev pode custar R$ 33 milhões por quilômetro.




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