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Expansão férrea marca Teixeira Soares

16/07/2008 - João Quaquio para o Hoje Centro Sul

Poucos devem conhecer João Teixeira Soares, ousado engenheiro reconhecido mundialmente a sua época, que dá nome ao município marcado pela passagem do trem.

Teixeira Soares

A história de Teixeira Soares começou muito antes do povoado se tornar município, em 14 de julho de 1917. Os tropeiros foram os primeiros a chegar em terras hoje teixeirassoarenses, a partir da segunda metade do século 19. Eles cruzavam a região através de picadas abertas na mata virgem, em viagens da região Sul com destino a Ponta Grossa.

Há estudos que apontam a presença do homem por esta região muito antes. Segundo o pesquisador José Carlos Veiga Lopes, João Crisóstomo Salgado obteve duas léguas de campo entre os rios Guaraúna e Imbituva, começando no Ribeirão Amaro e fazendo divisa com os campos do capitão Francisco Cardoso de Meneses. Alguns anos depois, em 27 de maio de 1789, Manuel Gonçalves Guimarães e Francisco Luís de Oliveira obtiveram sesmaria de campos e terras comprados do mesmo capitão e de sua mulher, Ana Maria das Neves, entre os rios Guaraúna, Imbituva e Tibagi. Estas terras confinavam com a sesmaria de João Crisóstomo Salgado.

Outros já consideram o primeiro morador da localidade o paulista João Augusto, que ali chegou no ano de 1890, seguido por João Bernardes, que vinha do Estado de São Paulo. Em 1896, chega Horácio Nunes e Joaquim Neves, já na época em que se encontrava em construção a estrada de ferro São Paulo - Rio Grande do Sul, bem como a estação localizada na Vila de Valinhos, então sede do distrito de Entre Rios.

Os quatro primeiros moradores fixaram-se na mesma região, então chamada de Boa Vista, que seria o primeiro nome dado ao povoado. Acreditando que a ferrovia traria progresso à região, eles doaram os terrenos de suas propriedades para que a estação fosse construída. Contaram com a colaboração do engenheiro Doutor Andrade Pinto.

O engenheiro

A estação de Boa Vista foi inaugurada em 1º de janeiro de 1900 e recebeu o nome de Teixeira Soares, uma homenagem ao engenheiro João Teixeira Soares, que fora diretor da Estrada de Ferro do Paraná, que ligava Paranaguá a Curitiba e também construtor da ferrovia São Paulo Rio Grande (EFSPRG), a mesma iniciada no povoado de Boa Vista. Teixeira Soares é conhecido no Paraná por ter dirigido a construção dos trechos mais difíceis da ferrovia na Serra do Mar, o que para muitos demonstrou grande capacidade e competência. Hoje a paisagem em que está assentada é admirada e reconhecida no Brasil e no exterior como uma das mais belas do mundo, sendo visitada por turistas ao longo de todo o ano, através do famoso passeio do trem na serra.

O engenheiro Teixeira Soares era geralmente conhecido no Brasil por construir ferrovias referenciadas pela beleza e ousadia, como cita o jornal itapecericano “CEI”, em 1957: “João Teixeira Soares, filho do itapecericano famoso Senador Soares constrói estradas de ferro admiradas até hoje por sua beleza e ousadia”. A construção de Paranaguá-Curitiba durou cinco anos e consagrou não só Teixeira Soares, mas também outro engenheiro, que fez o traçado dos trilhos: Antonio Pereira Rebouças Filho, que dá nome a outro município da região Centro Sul do Paraná – Rebouças.

Outra obra famosa que lhe é atribuída é a Estrada de Ferro do Corcovado, no Rio de Janeiro, primeira ferrovia eletrificada do Brasil, inaugurada em 1884 e mais antiga que o próprio Cristo Redentor. Foi através desta ferrovia que as peças do monumento conhecido mundialmente foram transportadas.

Quando o imperador do Brasil, Dom Pedro II, inaugurou a ferrovia do Corcovado, a população considerava a obra um “milagre da engenharia”, já que percorria 3.829 metros de linha férrea em terreno excessivamente íngreme. Certamente, Teixeira Soares deve ter sido muito aclamado em terras fluminenses, direta ou indiretamente, na magnitude de sua obra por personalidades como Santos Dumont, freqüentador assíduo do “Trem do Corcovado”, assim como os ex-presidentes Epitácio Pessoa e Getúlio Vargas, o papa João Paulo II, o cientista Albert Einstein, o rei Alberto da Bélgica e a princesa Diana. Todos percorreram os trilhos planejados por Teixeira Soares. O renomado engenheiro nasceu em Formiga, Minas Gerais. Faleceu em Paris, em 28 de agosto de 1927, a serviço do governo brasileiro.

A ferrovia

A concessão para a construção da estrada de ferro que passa por Teixeira Soares foi obtida em novembro de 1889, pelo engenheiro que lhe dá nome. Inicialmente, deveria ligar Itararé, estado de São Paulo, a Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Já na concessão original se previam dois ramais laterais, um para Guarapuava PR e outro que buscasse algum porto no estado de Santa Catarina a ser definido. Mas, esse projeto não evoluiu, por motivos políticos e administrativos diversos.

O objetivo da ferrovia para ligar Itararé a Santa Maria era ligar também Rio de Janeiro e São Paulo com o sul do País. Também visava a colonização dos locais do percurso, considerados até então virgens. A parte correspondente ao Rio Grande do Sul acabou sendo construída separadamente e entregue em 1894 à Cie. Sud Ouest Brésilien, e em 1907 cedida à Cie. Auxiliaire au Brésil. Em 1920, passou ao Governo, formando-se a Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que, em 1969, teve as operações absorvidas pela Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Parte do trecho acabou desativada em meados dos anos 1990 e, em 1996, a América Latina Logística (ALL) recebeu a concessão da linha, bem como de todas as outras ainda existentes no Estado. Trens de passageiros circularam até a década de 1980.

Mas, voltando aos tempos de 1900 e ao povoado de Teixeira Soares, a construção da estrada de ferro na localidade trouxe também muitos empregados e forasteiros. A população da vila aumentava. Terrenos eram vendidos aos novos moradores pelo capitão Ogero Dias a base de 40 a 50 mil réis, o alqueire. Inaugurada a estação ferroviária, chegam à vila o capitão João Negrão Junior, vindo de Morretes, José Antonio Bueno, Martin Wytkoski, entre outros. Em 1905, chega Antonio Maria Correia de Sá e, no ano seguinte, Manoel de Azevedo de Machado.

Com a ferrovia, impulso à economia

O setor ervateiro ganha impulso em 1908, quando o coronel João Ribeiro de Macedo montou o primeiro engenho de serrar, juntamente com um soque de erva, confiando a direção do empreendimento ao filho Manoel de Azevedo Macedo. Com transporte facilitado, pela passagem da ferrovia, logo a exploração madeireira teve início. No início do século XX, um pinheiro de vinte polegadas valia muito. O embarque da madeira era feito em qualquer ponto da linha férrea.

Instalação do Judiciário e da Polícia

O desenvolvimento do povoado logo trouxe instituições para cuidar da ordem. O Distrito Policial de Teixeira Soares foi criado pelo Decreto Estadual nº 60, de 8 de fevereiro de 1909. O Poder Judiciário chega à vila no mesmo ano, quando o Distrito Judiciário era criado por Lei Estadual com data de 22 de outubro. O primeiro juiz de Direito foi João Negrão Júnior e o primeiro promotor público, Adib Laedone. O Município foi criado em 26 de março de 1917 e instalado em 14 de julho de 1917, ocasião em que foram empossadas as primeiras autoridades. Desde então são 91 anos marcados por vidas que construíram e ainda constroem a humilde cidade de grandes histórias.

 

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