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Artigo: De aquários e ferrovias

02/01/2013

*Gerson Toller

A piada é velha, mas se aplica:

 Um dia estava Manoel a caminhar pela rua, um livro debaixo do braço, quando encontrou Joaquim:

“O que estás a ler Manoel?”

“Um livro sobre Lógica, Joaquim”.

“E o que é Lógica, Manoel?”

Manoel pensou, pensou e disse:

“Vou te dar um exemplo. O que carregas aí nesse pacote?”

“Ração para peixes”, respondeu Joaquim.

“Então, se compraste ração para peixes, é porque tens um aquário, certo?”

“Certo”, respondeu Manoel.

“E se tens um aquário, deves ter um filho que gosta de olhar os peixes?”

“Certo!”, disse Manoel, encantado.

“E se tens um filho, deves uma mulher, com quem vais ao leito?”

“Com certeza!”

“Então, Manoel, isso é Lógica”, concluiu Joaquim.

Manoel despediu-se e foi imediatamente comprar um livro sobre Lógica. Sentou-se num café no Chiado e começou a ler. Aí apareceu Antonio.

“O que estás a ler, Manoel?”

“Um livro sobre Lógica”, respondeu Manoel, todo orgulhoso.

“E o que é Lógica, Manoel?”

Manoel pensou, pensou e respondeu:

“Vou te dar um exemplo. Tu tens aquário?”

“Não.”

“Então és gay.”

...

Idêntica linha de pensamento foi seguida pela revista Veja, ao publicar, na edição desta semana, na matéria “Entre o público e o privado”, que Bernardo Figueiredo, atual presidente da EPL, porque foi assessor da Rede Ferroviária, sócio minoritário da ALL nas suas origens e presidente da ANTT, compactuou com as estrepolias da concessionária (isto sim assunto para uma bela matéria – atenção redação de Veja). É preciso um esforço de lógica lusitana para crer que existe “vício original grave” entre o passado ferroviário de Bernardo Figueiredo e o fato que ele não cassou a concessão da ALL, como diz o procurador gaúcho citado na matéria. 

Qualquer estagiário de ferrovias no Brasil (com exceção dos engenheiros apotentados da Rede Viação Paraná-Santa Catarina) sabe três coisas: primeiro, que a administração estatal das ferrovias era um desastre; segundo, que o concessionamento no final dos anos 90 salvou o sistema do sucateamento; e terceiro, que resta muito a fazer para recuperar o que existe expandir a malha, aumentar a competitividade, diversificar as cargas, etc. Depois de um ano de formado, o estagiário aprende também que as agências reguladoras, das ferrovias aos aeroportos, são fracas, politizadas e afastadas do público que deveriam servir.

Bernardo Figueiredo é o último dos executivos do governo por quem os concessionários de ferrovias poderiam ter alguma simpatia, quanto mais aliança. Foi ele quem montou as resoluções da ANTT, publicadas em julho do ano passado, obrigando as concessionárias a aceitarem tráfego mútuo umas das outras; estabelecendo metas de produção por corredor, e criando tetos tarifários. Foi ele também quem normatizou as relações entre usuários e operadores, criando uma espécie de manual de defesa do consumidor, que transformou a relação entre clientes e ferrovias, no dizer dos próprios clientes.  Foi ele por fim -- porque a presidenta Dilma nele confia -- que escreveu o Programa de Investimentos em Logística para as ferrovias (e para as rodovias e os portos) permitindo que operadores independentes possam trafegar sobre as malhas concessionadas, pagando pedágio. É o Open Access, que hoje se generaliza na Europa (alô redação de Veja II).

Nada disso impediu que alguns concessionários, a começar pela ALL, abandonassem trechos que não lhes interessavam, vendessem vagões e trilhos velhos como sucata e mandassem os clientes às favas. Na gestão de Bernardo Figueiredo, perto de R$ 100 milhões em multas foram aplicados somente à ALL, que foi denunciadas por crimes ambientais e contra o patrimônio em todas as instâncias do Judiciário. Mas como também acabou por aprender o estagiário, no Brasil, pelo menos até há pouco, condenar é uma coisa e penalizar é outra bem diferente. Pagar multa então nem se fala.

Dito isto, vamos combinar que o fato do Antonio não ter aquário não tem nenhuma relação a preferência sexual dele.

*Gerson Toller, Jornalista, Diretor da Revista Ferroviária

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 Comentários
16/01/2013 -  Comentário de JOAO LUIS VIEIRA TEIXEIRA -

Olá. Qual seria o motivo da diferenciação dos engenheiros aposentadosa da RVPSC? Obrigado.

Resposta da Revista Ferroviária
Dois motivos: primeiro, as associações de engenheiros ferroviários, com raras exceções, tem sido centros de resistência às mudanças que se deram pós-concessionamento. Segundo, essa resistência é liderada pelo senador Roberto Requião, a quem não há de faltar apoio no Paraná.
15/01/2013 -  Comentário de Marciano da Silva Barreto -

Pro Brasil entrar nos trilhos só precisamos de uma coisa: Copiar! Copiar os países que têm uma ferrovia eficiente, como EUA, Canadá, Europa... Mas isso ainda é pouco! Realmente é! Também precisamos de um choque de moral na gestão pública em todos o níveis. Por que enquanto existir essa corrupção em tudo o que envolve a gestão pública, continuaremos a andar a passos lentos rumo ao tão sonhado Brasil nos Trilhos!

Marciano Barreto
Maquinista CPTM
15/01/2013 -  Comentário de Euler -

É senhor Gerson, o fato que está claro para todos como a sua defesa serve de exemplo para aqueles que querem aprender como defender as quadrilhas que tomaram conta das concessões.
11/01/2013 -  Comentário de otniel cabral de oliveira -

Muito bom artigo. Quanto à lógica lusitana é só conferir a malha ferroviária deles e sua tradição.Enquanto isso, o gigante continua deitado no tal berço esplêndido e andando - de ônibus/caminhão - na contramão da lógica. Pelo menos a ferroviária. O negócio deles é...BRT (!!!).
O MEC poderia e deveria participar da campanha pro-ferrovias junto à massa estudantil em todas as faixas etárias. Pode e deve criar uma mentalidade ferroviária, incluindo modelismo,.....q até marmanjo vai adorar, a começar por este velhinho aqui.
Abraços a todos e feliz 2013
11/01/2013 -  Comentário de Joaquim Dias -

Pessimo comentario , preconceituoso e desprezivel digno de uma ação judicial .
03/01/2013 -  Comentário de Marco Antonio Bussotti -

Excelente noticia !
03/01/2013 -  Comentário de Walter Zink Filho -

Uma ressalva:o concessionamento foi precedido pelo sucateamento a fim de baratear a privatização. Atendeu a todos os interessados, portanto.
02/01/2013 -  Comentário de Fábio Cordeiro Lenta -

Parabéns esse é o tipo de artigo que precisamos para esclarecer e ver tudo que está errado e muitos fingem não ver.
02/01/2013 -  Comentário de Nelson Corrêa Granja -

Querido Gerson. O grande erro da Veja foi não ter Perguntado ao Bernardo: o que você tem aí nesse pacote?
02/01/2013 -  Comentário de Santiago Wessner -

Òtimo e necessário esclarecimento!
Aliás a revista Veja é uma conhecida fábrica de distorções e malversasões, na qual despreza-se sumariamente a ética e a verdade .
02/01/2013 -  Comentário de Carlos Roberto Ferreira de Deus -

Lógica é lógica e lusitano é lusitano. Primeiro, o respeito aos portugueses, depois a seriedade da questão. Enfim, os fatos, pois todo estagiario de direito sabe que o Sistema de Regulação Nacional é, ainda, novo e que precisa ser melhorado, amadurecido e ao fim e ao cabo não entendi nada do seu Artigo. Afora a graça da piada que faz parte da relação dos portugas com os brasileiros.
No entanto, o Autor queria criticar a Veja, o B. Figueiredo, ou a ANTT? Além disso, não entendi, tbm, se o Autor concorda com as resoluções e se essas são boas ao Sistema ou se ele está aqui defendo seus pares os donos da ALL, da MRS, FCA e qualquer outra concessionaria existente no Brasil? Por favor, nos esclareça.

Resposta da Revista Ferroviária
Com todo o respeito aos portugueses, existe uma lógica lusitana sim, que significa tomar as coisas ao pé da letra. Assim fez o dono do aquário em relação ao seu amigo Antonio, e assim fez a Veja ao afirmar, ou dar abrigo à afirmação, de que o Bernardo Figueiredo protege as concessionáras, e em particular a ALL (da qual a propósito não somos em absoluto pares) porque foi sócio dela numa época remota de sua vida. Esclarecendo novamente, somos contra matérias superficiais como a da Veja, e admiradores do trabalho que Bernardo vem realizando pelo transporte ferroviário no Brasil.
02/01/2013 -  Comentário de Oronzo Mongiò -

Parabens Dr. Gerson.
Que este ano veja sempre os seus esforços coroados da vitoria. O seu artigo é muito claro. Acredito que Bernardo Figueiredo fez e faz muito pelo desenvolvimento das ferroviás brasileiras.
Oronzo Mongiò
02/01/2013 -  Comentário de danilo silveira peluso -

Excelente e esclarecedor.
02/01/2013 -  Comentário de Laury A. Bueno -

Concordo. Ótimo artigo.



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