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Tribunal de Contas paulista quer barrar contratos do cartel

20/08/2013 - O Estado de S. Paulo

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) quer declarar inidôneas a Siemens e todas as empresas que atuaram no cartel de trens em São Paulo. O objetivo do procedimento é vetar futuras contratações dessas empresas pelo governo estadual. Investigações em curso pela Polícia Federal e Ministério Público Federal apuram denúncias de que agentes do governo paulista, de 1998 a 2008 - gestões do PSDB -, teriam recebido propina dessas empresas.

O presidente do TCE, Antônio Roque Citadini, requereu ao Ministério Público de Contas abertura de procedimento para eventual declaração de inidoneidade das companhias que atuariam no cartel. O processo deverá ser instaurado assim que a Procuradoria de Contas tiver acesso ao acordo de leniência em que a multinacional alemã denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a existência de um cartel em licitações no setor.

Ao todo, vinte empresas foram envolvidas pela Siemens na denúncia de cartel, incluindo a própria multinacional alemã. Dentro do Ministério Público de Contas já se dá como certa a abertura do procedimento de declaração de inidoneidade tão logo os documentos do Cade sejam acessados.

A estratégia do órgão controlador do Estado é a mesma adotada pelo governo federal, por meio da Controladoria-Geral da União (CGU), que rotulou de inidônea a empreiteira Delta, protagonista do escândalo envolvendo o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Caso o procedimento seja aberto, um dos sete conselheiros do TCE que julgará o feito será Robson Marinho, ex-secretário da Casa Civil do governo Mário Covas, sobre quem paira a suspeita de ter recebido propina da empresa francesa Alstom para beneficiá-la em processos de contas no próprio TCE envolvendo contratações no sistema metroferroviário paulista.

Controvérsia jurídica. Não há uma pacificação jurídica sobre o efeito de eventual declaração de inidoneidade para contratos vigentes. Os contratos em que a Siemens apontou a existência de cartel já foram todos encerrados, mas a multinacional alemã e várias empresas por ela denunciadas participam, por exemplo, de pelo menos um dos quatro contratos da reforma dos trens das Linhas 1 e 3 do Metrô de São Paulo, que ainda vigem.

Há decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que invocam o princípio da segurança jurídica para determinar que a inidoneidade só valha para contratações feitas depois do julgamento. Contudo, outras decisões do próprio STJ facultam à administração a promoção de medidas para a rescisão de contratos vigentes.

Por meio do ofício 407/2013 ao procurador-geral de Contas, Celso Augusto Matuck Feres Junior, o presidente do TCE aponta a "maciça veiculação por todos os meios de imprensa de suposta formação de cartel no setor metroferroviário".

Citadini pede ao procurador que avalie "a conveniência e oportunidade de provocar junto a este TCE a instauração de processo sobre eventual inidoneidade de licitantes".

O Ministério Público de Contas afirmou, em nota, que aguarda resposta ao ofício enviado ao Cade no último dia 07 para tomar as devidas providências. "O teor da resposta é bastante importante porque, em relação aos feitos já julgados, poderá legitimar ações de rescisão", afirmou o procurador José Mendes Neto, responsável pela comunicação do órgão.

Revisão do passado. Os processos envolvendo os contratos já encerrados podem ser reabertos para nova análise. Caso comprovadas irregularidades, as empresas podem sofrer sanções que vão desde multas até a declaração de idoneidade.

No ofício à Procuradoria de Contas, Citadini invoca o artigo 108 da Lei Orgânica do TCE para lembrar que é da competência do tribunal decidir sobre a inidoneidade. O artigo dispõe que "o Tribunal Pleno poderá declarar, por maioria absoluta de seus membros, inidôneo para contra tar com a administração pública, pelo prazo de até 5 (cinco) anos, o licitante que, através de meios ardilosos e com o intuito de alcançar vantagem ilícita para si ou para ou trem, fraudar licitação ou contratação administrativa".

Conselheiro sob suspeita. O conselheiro do TCE Robson Marinho, suspeito de ter recebido propina da Alstom, teve bens no exterior bloqueados pela Justiça em 2009. Ele teria pelo menos US$ 1 milhão em contas na Suíça, valor que, segundo investigadores, tentou transferir para os EUA. A promotoria suíça, porém, impediu a operação. Os sigilos fiscal e bancário de Marinho também foram quebrados.

QUEM É QUEM

Os 'lenientes': Executivos da Siemens que assinaram o acordo

- Daniel Mischa Leibold (alemão)
- Everton Rheinheimer(brasileiro)
- Jan-Malte Hans Jochen Orthmann (alemão)
- Nelson Branco Marchetti (brasileiro)
- Newton José Leme Duarte (brasileiro)
- Peter Andreas Gölitz (brasileiro)

Os citados: Nomes citados e cargo na empresa à época de projetos nos Metrôs paulista e do DF e na CPTM

- Albert Blum, presidente da DaimlerChrysler no Brasil
- Antonio Oporto, presidente da Alstom Espanha
- César Basaglia, gerente de vendas na Divisão de Transporte da Alstom Brasil
- Dong Ik Woo, gerente-geral da Hyundai- Rotem
- Edson Yassuo Hira, gerente de Propostas da TTrans
- Fleury Pissaia, diretor de Construção e Montagem da Iesa
- Francisco Esse Amigo, diretor da Divisão de Transporte de Massa da Alstom no Brasil
- Geraldo Herz, diretor comercial na Divisão de Transporte da Alstom Brasil
- Haroldo Oliveira de Carvalho, funcionário da Balfour Beatty
- Homero Lobo de Vasconcelos, gerente da Serveng
- Juarez Barcellos Filho, gerente de Propostas da TTrans
- Manuel Carlos do Rio Filho, funcionário da Bombardier
- Massao Suzuki, vice-presidente da Divisão de Transportes da Mitsui no Brasil
- Massimo A. Giavina-Bianchi, diretor-presidente da TTrans
- Maurício Memória, funcionário da Temoinsa
- Murilo Cunha, diretor da CAF Espanha
- Paulo Borges, diretor de Transportes da Alstom no Brasil
- Ramon Fondevilla, diretor-geral da Alstom no Brasil
- Renato Ely, presidente da TCBR
- Ronaldo Hikari Moryama, sócio-diretor da MGE
- Serge Van Themsche, presidente da Bombardier
- Wilson Azevedo, gerente de vendas da Mitsui
- Wilson Daré, funcionário da Temoinsa

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