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Acciona pode levar Linha 6 Laranja do metrô de SP

  08/11/2019
person Valor Econômico
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Acciona pode levar Linha 6 Laranja do metrô de SP

Em uma grande reviravolta nos últimos dias, o grupo espanhol Acciona se tornou favorito a comprar a concessão da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, do consórcio Move São Paulo. Trata-se de um negócio, considerando as dívidas, superior a R$ 1 bilhão.

As negociações, porém, correm contra o tempo. As partes precisam de consenso ao menos para um memorando preliminar de entendimentos. O consórcio tem até o fim do dia de hoje para levar o documento ao governo de São Paulo, para evitar a caducidade do contrato de concessão.Fontes próximas ao governo paulista disseram ao Valor que, sem uma sinalização concreta da venda, não haverá prorrogação do prazo, e o contrato será anulado.O avanço dos espanhóis representa uma mudança de rumo para o futuro da Linha 6, que terá 15,3 de quilômetros de extensão e ligará a Brasilândia, na zona Norte, até a região central da cidade, na estação São Joaquim. Até pouco menos de duas semanas, os chineses da CR20 estavam liderando as tratativas e em vias de assinar um acordo final para a transação, mas as conversas perderam ritmo com mudanças em questões contratuais não previstas, segundo fontes próximas ao tema.

O Valor apurou que já havia até mesmo uma minuta de contrato com a CR20, mas que ela voltou completamente "rabiscada", cheia de alterações. Pouco dias depois, a Acciona, que já estava afastada das conversas, ressurgiu.O Move São Paulo reúne a Odebrecht TransPort (OTP), em sociedade com a Mitsui, a UTC e a Queiroz Galvão. Cada um possui 1/3 da concessão. A OTP, porém, tem cerca de 8% do negócio todo, por meio de participações indiretas.

O consórcio firmou a Parceria Público-Privada (PPP) no fim de 2013, para construir e operar a linha, que receberia R$ 10 bilhões de investimentos compartilhados. O valor atualizado da obra está em R$ 12 bilhões. Cerca de 5% foram executados até setembro de 2016, data da interrupção das obras.A crise das construtoras, desencadeada pela Operação Lava-Jato, e os problemas com o BNDES levaram à declaração da caducidade da concessão, no fim de 2018. O decreto do governo, porém, dava um prazo para que a anulação tivesse efeito. Inicialmente, a data-limite era agosto, mas foi prorrogada para 11 de novembro, com a expectativa de que o Move São Paulo conseguisse fechar a venda.

O governo prefere evitar a caducidade. Caso seja necessário fazer uma nova licitação, o processo poderá levar até dois anos - hoje, o Estado não tem sequer auditoria dos investimentos realizados. Já no caso de uma transferência a outro controlador, estima-se que a obra poderia ser retomada em 180 dias a partir da assinatura.

Neste momento, o Move São Paulo luta contra o tempo, em duas frentes de conversas simultâneas. O grupo não desistiu de alinhar as questões com a CR20. Contudo, houve uma convergência entre as visões com os espanhóis.Caso o acordo preliminar seja firmado, a expectativa é que a operação seja oficializada em até três meses. Nesse período, haveria nova rodada de negociação, inclusive com o governo, que já demonstrou disposição em rediscutir os prazos com o novo controlador.

A transação pode render pouco menos de R$ 200 milhões à OTP, considerando valores à vista e futuros. A construtora da Odebrecht, OEC, deve continuar participando da execução da obras, mas com menos de 50% do contrato. Procurada, a Acciona não se manifestou. O governo afirmou, em nota, que as tratativas ocorrem entre concessionária e potencial comprador e que, ao poder concedente, cabe avaliar a capacidade financeira e operacional da empresa.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/11/08/acc...