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Banco asiático aguarda aval para atuar no país

  08/11/2019
person Valor Econômico
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Banco asiático aguarda aval para atuar no país

O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) espera destravar em breve sua atuação no Brasil. Instituição multilateral de desenvolvimento liderada pela China, o banco tem dado passos em vários países, rivalizando com o Banco Mundial no papel de financiador de obras de infraestrutura. Para começar a fornecer crédito a projetos no Brasil, porém, o banco precisa que o país ratifique sua participação como um de seus membros fundadores.

"Quando o Brasil ratificar sua participação, nós podemos começar imediatamente a financiar projetos privados ou públicos no país, principalmente em infraestrutura para o comércio, como portos, ferrovias e rodovias e em energia renovável", disse ao Valor o vice-presidente do AIIB, Joachim von Amsberg. "Podemos investir no dia seguinte US$ 100 milhões sem nenhum problema, se houver algum projeto interessante."

O executivo se reuniu na quarta-feira com parlamentares em Brasília e foi recebido no Ministério da Economia pelo secretário de Assuntos Econômicos Internacionais, Erivaldo Alfredo Gomes. Os encontros foram articulados pelo atual presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Sérgio Gusmão Suchodolski, que o acompanhou na visita a Brasília.

"Nós temos a perspectiva de que a ratificação vá acontecer logo, porque tem um benefício grande para o país", acrescentou ele. A participação do Brasil no capital do banco é pequena, US$ 1 milhão, e a ratificação da entrada do país abre a porta para um volume elevado de financiamentos, disse o executivo.

O banco, sediado em Xangai, foi uma iniciativa de Pequim em 2015 e logo teve a adesão de 57 países fundadores - entre eles o Brasil. O objetivo era atender a demanda por infraestrutura pelo mundo, fazendo frente ao Banco Mundial, sobre o qual os EUA e aliados ocidentais têm maior proeminência. A iniciativa foi lançada num momento em que Pequim também lançava sua política chamada de Belt and Road Initiative, de investimentos em melhora de infraestrutura em países que são grandes exportadores para a China.

Amsberg diz que o banco não tem como regra financiar apenas projetos nesse âmbito.

O BAII tem a China como seu maior acionista, com uma fatia de 26% de seu capital. A Índia é o segundo maior acionista; a Rússia, o terceiro; Alemanha, o quarto; e a Coreia do Sul, o quinto. O banco tem hoje 100 países acionistas - dos quais 75 já são formalmente membros.

Com um capital de US$ 100 bilhões, dos quais US$ 20 bilhões pagos e a maior parte como garantia dos países-membros, o AIIB tem quase a metade do capital do Banco Mundial, diz Amsberg. "O Banco Mundial tem US$ 240 bilhões de capital, mas nós temos quatro anos de operação, e o Banco Mundial, 70."

As operações começaram em 2016 e desde então investiu em 50 projetos cerca de US$ 10 bilhões, a maioria na Índia, Turquia, Indonésia, Bangladesh e Paquistão. "Temos planos para aumentar nossas operações e criar um portfólio bastante ambicioso", disse o vice-presidente.

Bancos e agências de fomento no Brasil dizem que a estreia do BAII no país representaria uma nova fonte de financiamento "a custo de captação mais competitiva dado o rating de longo prazo do BAII", segundo carta assinada pelo presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento, Perpétuo Socorro Cajazeiras. Na carta, a entidade manifesta apoio ao projeto de decreto legislativo 1158/18 que permite a ratificação da participação do Brasil no BAII.Segundo Suchodolski, que também é vice-presidente da associação, o projeto acabou saindo do foco do Congresso nos últimos anos, mas sua expectativa é que ele volte a tramitar e seja aprovado em breve.

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/11/08/banco...