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Você sabia que alguns postes de Nova Friburgo são pedaços de trilho de trem?

  12/06/2019
person Multiplix
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Você sabia que alguns postes de Nova Friburgo são pedaços de trilho de trem?

Em algumas ruas de Nova Friburgo, município da Região Serrana do Rio de Janeiro, quase 60 anos depois da linha férrea ser desativada, ainda é possível ver vestígios do trilho do trem pela cidade, mas não no chão, e sim como postes de luz, fradinhos e tampas de bueiros.

Segundo o historiador e presidente da Fundação D. João VI, Luiz Fernando Folly, quando a linha férrea que ligava o município de Nova Friburgo a Cachoeiras de Macacu foi desativada no final da década de 1960, a Estação Leopoldina fez a retirada da maior parte do trilho, que foi encaminhada para galpões no Rio de Janeiro. No entanto, parte desse trilho ficou na cidade e foi reutilizado em obras públicas.

"Hoje em dia você ainda vê o trilho sendo usado em postes de luz, e também como fradinhos em beira de calçadas de rua e em tampas de bueiros", explica.

Luiz Fernando conta ainda que a linha férrea foi sendo desfeita a partir da década de 1960 em todo o Brasil e que, em Nova Friburgo, o desmonte teria sido a partir do dia 15 de julho de 1964, seguindo orientações do governo do então presidente Juscelino Kubitscheck, que introduziu o rodoviarismo em todo o País, acabando com a malha ferroviária.

"A desativação da linha férrea veio numa tentativa durante a gestão de Juscelino Kubitscheck, com influência dos Estados Unidos, de querer unir o país por meio da malha rodoviária, o chamado "rodoviarismo", para introduzir o automóvel e o caminhão como linha de acesso ao País, e não mais a linha férrea. Então, vários ramais foram sendo desfeitos, e o de Friburgo foi um deles."

De acordo com a Revista Brasileira da História da Ciência, a política rodoviária e automobilística veio acompanhada de uma progressiva desativação dos ramais e estradas de ferros. Tal diretriz foi executada durante a ditadura civil-militar, em que as chamadas ferrovias estratégicas foram priorizadas para transporte de grãos e minérios, enquanto se extinguiram mais de 10 mil quilômetros de trilhos do interior, notadamente de passageiros.

Wanderson Amil, professor de geografia e morador de uma rua que tem poste de trilho, lamenta o fim da ferrovia na região. "Quando vejo um poste deste na cidade, penso que as linhas de trem poderiam estar funcionamento até hoje. Países europeus mantêm sua malha ferroviária, sempre modernizando-as, mas não destruindo, como fizemos. A eliminação de um caminho é menos uma mobilidade das pessoas no espaço", diz.

O presidente do Clube do Trem de Nova Friburgo, Ordilei Costa, diz que tinha 19 anos quando o trilho foi desmontado na região.

"Gostava de andar de trem. Fui ao Rio de Janeiro umas três vezes e ia também muito a Bom Jardim com minha família. Lembro que o levantamento do trilho foi rápido, e quando tudo acabou, foi uma tristeza, um chororô na cidade. Mas até hoje temos os leitos preservados por dentro da Serra de Cachoeiras, que vai até a Boca do Mato, e os de Sumidouro", diz.

Sobre a Estrada de Ferro de Cantagalo

A Estrada de Ferro de Cantagalo foi inaugurada pelo barão Antônio Clemente Pinto em 22 de abril de 1860. Para facilitar a execução, o projeto foi dividido em três seções: a primeira, de Porto das Caixas (no fundo da Baía de Guanabara, em Itaboraí) a Cachoeiras de Macacu; a segunda, de Cachoeiras a Nova Friburgo; e a terceira, de Nova Friburgo a Laranjais, em Cantagalo.

Coube a Bernardo Clemente Pinto, filho do barão, terminar a obra do pai e inaugurar, em 1871, a pedra fundamental da estrada de ferro de Nova Friburgo, onde hoje funciona a Prefeitura de Nova Friburgo.

Fonte: https://www.portalmultiplix.com/noticias/destaques/voce...