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Estação Sufoco: 14 dos 40 trens do Metrô do Recife estão sem funcionar

  14/05/2019
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Estação Sufoco: 14 dos 40 trens do Metrô do Recife estão sem funcionar Trilho do metrô repleto de lixo é cena comum no Grande Recife - Foto: Reprodução/TV Globo

Dos 40 trens da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em operação no Recife, 14 estão sem funcionar. Além dos atrasos causados pelos problemas com os trens, lixo e ambulantes atuando sem fiscalização ou ordenamento também fazem parte da rotina de 400 mil passageiros. Uma realidade mostrada no NE1 desta segunda-feira (13), na série Estação Sufoco. (Veja vídeo acima)

Na última terça-feira (7), um dos dias em que a reportagem foi gravada, três trens da Linha Sul quebraram. A situação não é novidade. Dos 15 trens novos que chegaram desde 2012, três já estão fora de circulação, com peças que não foram repostas por falta de recursos, segundo a CBTU. Os outros 25 veículos são da década de 1980. Desses, 11 estão quebrados.

"Hoje a gente teria que ter pelo menos 30 trens funcionando. Você sempre tem que tirar algum para manutenção. Quanto maior a reserva, mais fácil você ter um metrô de qualidade", afirma o superintendente da CBTU no Recife, Leonardo Villar.

Segundo ele, não há previsão para compra de novos trens. O aumento, há uma semana, de R$ 1,60 para R$ 2,10, chegando a R$ 4 em 2020, é apenas "para a gente continuar com o metrô operando".

A quebra constante dos trens agrava a superlotação. A Linha Sul, com três trens tirados de circulação ao mesmo tempo, tornou a viagem um martírio. Mesmo no contra fluxo do horário de pico da manhã, no sentido cidade-subúrbio, os vagões estavam cheios.

"Todos os dias é esse atraso no metrô. Quando quebra, é pior ainda. Está sempre lotado, não tem conforto, não segurança, não tem melhoria. Só tem aumento", afirma a enfermeira Valesca Bastos.

Os problemas do metrô, no entanto, vão além. As pichações estão em toda parte. O lixo, mais ainda. Ao longo do caminho, há destroços amontoados, mato alto e móveis velhos jogados. Perto das estações, os trilhos ficam repletos de sacos de pipoca, garrafas de água, caixas de papelão, palitos de picolé e outros detritos. Não por falta de lixeiras nem de aviso.

"Isso é falta de educação. Infelizmente, é uma cultura. É vergonhoso. Mesmo se não tiver lixeira perto, eu separo na bolsa, numa sacola, e coloco no lixo mais próximo. Mas o pessoal não quer saber", lamenta o orçamentista Diego Michel.

"A direção do metrô parece que não se importa. Isso incomoda a gente, gera rato e barata. A passagem aumenta e eles não fazem nada. Está uma imundície", complementa o comerciário Gilmar Antônio da Silva.

O lixo está atrelado a outro problema que o metrô enfrenta: a presença desordenada dos ambulantes. A presença dos vendedores é proibida por lei, mas há fiscalização por parte do metrô é falha e não há nenhuma tentativa de cadastramento ou organização.

Rodrigo Araújo atua como ambulante no metrô há quatro anos. Sai para trabalhar às 5h e roda pelos trens e estações até 15h. Volta para casa e se organiza para ir à escola à noite. "Não quero estar nessa para o resto da vida. Estudo para ter um futuro melhor lá na frente, fazer uma faculdade e ter um emprego melhor. Se houvesse um cadastro, seria melhor para a gente, pois só assim a gente não passaria o corre-corre que passa de vez em quando."

O ambulante José de Oliveira diz que já perdeu mais de R$ 3 mil em mercadorias apreendidas. Ele era ajudante de caminhão, vivia descarregando fretes, mas viu o emprego praticamente sumir do mapa com a modernização do processo.

"Acabei ficando sem emprego e tenho casa para sustentar. A solução é essa. O metrô tem sido minha vida", diz ele, que vende acessórios para telefones celulares.

Fonte: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2019/05/13/e...