Por uma revisão da política de transporte urbano

  • O Plano Nacional de Mobilidade Urbana, anunciado pela presidente Dilma, como  “um amplo pacto político”, aparentemente já foi resolvido, e bem depressa, às custas do Tesouro, desonerando o diesel e o IPI  dos ônibus e do óleo diesel e mandando a conta de R$ 50 bilhões para o Tesouro. Deve sobrar alguma coisa para a energia elétrica dos metrôs e quem sabe para a contrução de VLTs.  Estarão sendo ouvidos, segundo a presidente,  “os líderes das manifestações envolvidas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares”.  Gente bastante para satisfazer a todos os gostos.

Para tentar balizar a discussão, para que não fique ampla demais, vamos reconhecer que chegamos onde chegamos por conta de decisões erradas em diferentes níveis de governo desde a década de 60.  Primeiro, foram as prefeituras a eliminar os bondes elétricos em 50 cidades brasileiras. Depois, foi a Rede Ferroviária Federal a extinguir os trens interurbanos de passageiros. Em seguida, foi a Fepasa, pertencente ao Estado de São Paulo, que acabou com todos os trens de passageiros ligando a capital ao seu entorno e ao interior do estado. Para coroar, foi o governo da presidenta a reduzir o IPI sobre os automóveis, permitindo à indústria dobrar a produção em cinco anos. Como resultado, ficaram as metrópoles que aí estão,  sem saída, sem fluidez, sem atmosfera, com transporte público caro, superlotadas de automóveis e de ônibus.

Não é preciso discutir muito para perceber que a melhoria do transporte público, tão necessária para acalmar os manifestantes, consiste em corrigir as decisões do passado. Privilegiar o transporte individual foi uma decisão política, tomada aqui e em outros países, e que remonta a Juscelino. Mas hoje o mundo inteiro reconhece que as cidades precisam de menos automóveis e ônibus e de mais transporte movido a eletricidade, com alta capacidade e baixa ocupação do solo, como são os trens. O metrô é ideal, para quem teve a visão de construí-los antes da cidade crescer demais. Na falta de tempo e recursos, 182 cidade europeias, 46 asiáticas e 41 norte americanas  recuperaram ou construíram, desde a década de 80,  seus sistemas de bonde, passando por Londres, Paris , Helsinki, Los Angeles e  Little Rock (ver  lista completa em https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_tram_and_light-rail_transit_systems

E para desafogar os acessos rodoviários, aliviar os aeroportos e permitir o livre trânsito dos habitantes, 15 países — apesar dos recursos envolvidos – contam com trens de alta velocidade em operação (ver relação em http://www.uic.org/IMG/pdf/20130401_high_speed_lines_in_the_world.pdf)

, indo da França e Japão à Coréia e Turquia.

Bem vindo será o protesto das ruas que resultar em uma revisão profunda das políticas de transporte urbano seguidas nesse país.

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