Arquivo de setembro de 2013

TAV: oportunidade perdida

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mais uma vez  -  a quarta, desde a primeira frase do presidente Geisel a favor do TAV, em 1977,  há 36 anos – perdemos a oportunidade de encaminhar uma solução ferroviária para a ligação Rio-São Paulo. Esta será adotada um dia, quando a Ponte Aérea ficar tão cara, e a Dutra tão congestionada, que o trem surja como solução inescapável e inadiável. São Paulo e Rio de Janeiro terão crescido mais um pouco, todo mundo terá automóvel, o trânsito terá piorado bastante, junto com a poluição e os acidentes. O TAV ressurgirá como a única alternativa para desafogar as cidades,  redistribuir a população ao longo do Vale do Paraíba e atender a demanda que se espera.

No mundo, desde 1977, 18 países adotaram e hoje operam TAVs:  Áustria, Bélgica, China, França, Alemanha, Itália, Holanda, Arábia Saudita, Coréia do Sul, Espanha, Suíça, Rússia, Estados Unidos, Turquia, Taiwan e Reino Unido, além do Japão. As linhas de alta velocidade em tráfego somam 21.603 km.

A infraestrutura, com raras exceções – como o trecho Figueras-Perpignan, construído em PPP, foi toda custeada pelos estados. Em várias situações, no entanto, os trens e a operação são privados – mais ou menos como aconteceria no Brasil se o TAV tivesse ido adiante. Assim é, por exemplo, na Inglaterra, onde existe uma frota de 308 trens operando para a Virgin, Cross Country, East Midlands, Southeastern e Agility na linha High Speed 1, que liga Londres ao Canal da Mancha, e vários segmentos adaptados da malha. Uma segunda linha dedicada de alta velocidade, a High Speed 2, ligando Londres a Manchester e a Leeds, no Norte, está sendo projetada.

Na Europa, o tráfego de passageiros de alta velocidade praticamente dobrou entre 2000 e 2010, passando de 59,8 para 110,4  bilhões de passageiros/km.  É pouco provável que estejam todos errados.