Arquivo de julho de 2012

Menos juros, mais ferrovias

terça-feira, 17 de julho de 2012

Da mesma forma que o Brasil mudou para melhor nos últimos anos, com a estabilização dos preços e a melhor distribuição de renda, pode continuar mudando no futuro, e com efeitos tão benéficos quanto, com o relativo controle da dívida pública e a redução na taxa de juros. Reduzir juros significa mais do que estimular o crescimento da economia por causa da crise internacional. Significa por fim à “ciranda financeira”, termo consagrado pela economista Maria da Conceição Tavares, na década de 70, referindo-se à venda e resgate de títulos pelo Banco Central, a taxas de mercado, para financiar uma dívida pública crescente e fora de controle. Por isso, e durante mais de 30 anos, o Brasil praticou taxas de juros obscenas, drenando para aplicações financeiras um grande volume de capital que, de outra forma, estaria sendo aplicado na economia real, em investimentos produtivos.
A ciranda está diminuindo, ao que tudo indica. Existe uma disciplina fiscal e um controle monetário que já permitem o refinanciamento da dívida a taxas mais razoáveis, embora ainda entre as mais altas do mundo. As notícias diárias sobre escândalos não deixam, por sinal, de mostrar que a sociedade e áreas do governo estão mais vigilantes sobre o uso de recursos públicos. É possível esperar que o Brasil esteja entrando numa nova fase em que os recursos privados – dos fundos de investimento, das empresas e dos particulares – passem a buscar alternativas de aplicação fora do mercado financeiro.
Para as ferrovias – e para a infraestrutura em geral – onde os investimentos são pesados e de longa maturação, a mudança no custo do dinheiro será capaz de atrair capitais privados como não se vê há muito tempo. Isso já pode ser visto na multiplicação de projetos de parceria, tanto na carga como nos passageiros, anunciados recentemente. É fácil encontrar uma dúzia de oportunidades:
Na carga:
• Reconstrução da ferrovia que liga Campos (Porto de Açu) ao porto do Rio de Janeiro (Corredor Fluminense);
• Ferroanel Norte, entre Jundiaí e Manoel Feio;
• Remodelação da Novoeste para receber minério de Urucum (projeto Vetria, da ALL);
• Construção de um pátio de contêineres em Cubatão para transporte ferroviário entre o planalto paulista e o porto de Santos (Contrail);
• Open Access nas linhas novas da Valec;
• Leasing de vagões e locomotivas
Nos passageiros:
• Linha 3 do Metrô Rio, entre Niterói e São Gonçalo;
• Linha 18-Bronze do Metrô SP, entre São Bernardo e Tamanduateí;
• Linha 6-Laranja do Metrô SP, entre a região noroeste e o centro de SP;
• Linha 15-Branca do Metrô SP, entre Vila Prudente e a Dutra;
• Expresso ABC, entre Mauá e a Luz;
• Trens Regionais de São Paulo.
Todos esses projetos estão sendo oferecidos por seus responsáveis à participação privada. É uma situação nova, para um Brasil novo, sem taxas de juros escorchantes, e com o dinheiro indo para o lugar certo.