Arquivo de novembro de 2008

Planejar é preciso

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

 

 

Estamos no meio de uma crise que ninguém sabe onde vai parar, mas que com certeza trará mudanças importantes para o setor metro-ferroviário. O mundo não será o mesmo depois que a tempestade se acalmar. E a mudança mais importante vai ser, como já sabemos, maior dose de regulamentação dos mercados e mais forte presença do Estado nas economias.

 

O ciclo de desregulamentação que começou lá atrás com Ronald Reagan, Margareth Thatcher e aqui no Brasil Fernando Collor esgotou-se. Deixou sem dúvida importantes benefícios, a começar no nosso caso pelo desmonte de antigas estatais substituidas por capital e gestão privados. Não é mais preciso falar dos ganhos que isso produziu, e que chegaram ao transporte metropolitano no Rio de Janeiro e à Linha 4 aqui em São Paulo. Mas também é preciso que  houve perdas.

 

O planejamento do investimento em infraestrura é uma função que só pode caber ao Estado. E no afã da desregulamentação total e absoluta jogamos fora a criança com a água do banho;  junto com a Rede Ferroviária e a Fepasa, acabamos com o Geipot e com a capacidade de planejar do governo federal.

 

O transporte ferroviário se ressente da falta de planejamento e da presença do Estado. Em São Paulo ficou claro o que o governo pode fazer quando prevê, como previu com o PITU, e quando investe na melhoria do sistema. E como sempre tudo se combina para fazer avançar a história, o governo federal pela primeira vez em muitos anos definiu agora o seu plano de investimento a longo prazo, o PNTL, e assumiu a tarefa de fazer crescer a malha ferroviária brasileira. As duas ações reconstituem, principalmente no caso do governo federal, a capacidade de planejamento de que vamos necessitar daqui para a frente.

 

A presença de Estado, no caso do Brasil, foi muitas vezes taxada de burocrática e ineficiente. Em contrapartida exaltava-se o fundamentalismo de resultados oferecido pelo mercado. O resultado vemos hoje no encilhamento dos derivativos e também nas distorções da economia real, que quase acabam com o planeta. Regulamemar não é tolher. Regulamentar é ordenar o crescimento para que perdure e produza benefícios para todos. É o que o setor metro-ferroviário pode ganhar com a crise. E não é nada pouco.